terça-feira, 29 de março de 2011

Ó, doce, doce corvo que flameja, por que sugastes minha alma?



Querido, junte minhas coisas, junte as fotografias, lave o vestido branco, compre rosas brancas e decore-as com seu próprio sangue, ligue para minha mãe, e ligue para a sua, apesar de que eu sei que ela gemerá de alegria ao saber. Susie têm seu número, Susie é sua amiga, Susie têm um faca. O sangue está no chão, o sangue está na faca, o sangue está nas mãos dela. Mas me diga, Anne está bem? Diga que está, pois ela têm uma missão a cumprir. Ah, não, aquele é o assassino ardiloso? Anne, você está bem? Você está bem, Anne? Como os gemidos dos insanos afogados no amargo prazer do fogo que flameja, o sangue se esvai da minhas veias, a cor deixa meus lábios, e minha assassina grita em agonia. Já arrumou o vestido branco? Onde estão as rosas? Pode molhá-las com meu sangue. Minha mãe já está na linha? Sua mãe já está na festinha? E o necrotério? Quando levará o meu corpo frio e gélido, sem alma, a cor deixando as madeixas louras? Ah, você se lembra do tempo em que nos apaixonamos? Toda a dor encobre seu rosto. Pode tocar minha mão? Oh, já não sinto mais. O tato se foi, a visão se foi, o olfato se foi, a visão já se esvaiu também, e juntamente desta, a audição. Não existe uma luz prateada. O desiluminador toca todas as luzes, e as derruba de forma grosseira. Oh, ele me tocou. Adeus, doce manejar de palavras. Adeus, meu amor, que os anjos lhe carreguem, porque quem me carrega desta vez, é o limo que surge na primavera. Adeus. Ouça o canto do rouxinol por mim, mas não se esqueça das flores e nem das lágrimas. Ó, doce rouxinol, ó doce rouxinol que canta, trazendo a manhã. Ó, corvo da morte, que sugou minha alma, que canta trazendo a escuridão. Ó, adeus doce mel.

Nenhum comentário:

Postar um comentário